"havia duas maneiras de partir:
uma era ir embora,
outra era enlouquecer"
Mia Couto
Eu decidi ficar. Adeus Madrid!
Um mês desgastante: entrevista uma vez por semana com uma troca constante de “chip” linguístico e de entrevistadores; de coração partido, mas com força para seguir em frente (ou um pretexto para esquecer tudo o resto), acabou com uma ida à cidade espanhola para a derradeira prova final.
Quis o destino (chamemos assim) que o contrato não me fosse apresentado nesse dia, nessa hora; não assinei então o meu “passaporte de ida com regresso indefinido”!
Quis o destino (chamemos assim) que na manhã da entrevista final tivesse um email na minha caixa de correio, aquele “email”, aquela “convocatória” que sempre tive esperança de receber um dia. E agora ?!
Regresso a Lisboa com o tal email na cabeça. Ainda sem contrato assinado, mas com a certeza que daqui a uns dias estaria a trabalhar : Que fazer? E agora? Mais uma decisão a tomar... Passo a vida nisto: tudo ou nada!
A esta hora já estaria a fazer as malas, a encaixotar um sem fim de “tralhas”. A esta hora já teria a papelada pronta e uma casa pronta a ser ocupada por outra pessoa, conhecida, desconhecida, não sei, alguém! Mas não, não foi essa a minha decisão! Decidi ficar, decidi não partir!
Foram uns dias complicados, de alguma “apatia”. Não me lembro muito bem do que andei a fazer, do que disse em algumas situações, sem qualquer atenção... Longe de tudo apenas!
Doía-me, um sentimento que andava perdido e que desconhecia. Queria falar, mas não sabia bem o quê; queria escrever, sem saber bem o quê e o porquê, escrevia apenas umas quantas linhas para dar trabalho à minha desatenção. Bastava ter um papel branco para rabiscar qualquer coisa, em forma de palavras, frases ou simplesmente em forma de uns traços, fazendo lembrar alguém que tinha acabado de passar pela frente... e dava-me por satisfeita !
E a decisão foi tomada. E pergunto: E agora ?
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