"Deixas rasto no meu peito durante horas. Dou com
cabelos teus colados, dias depois, à roupa do meu sorriso.
Encontro nos vincos mais longínquos dos meus
dedos o cheiro parado do teu olhar tão móvel. Procuro-te
nas esquinas dos instantes que passam. Reconheço-te
no vinco que a ternura deixa na carne do peito do
meu olhar, aquele que deito para longe, para outra esquina,
de onde recebo mensagens de outro olhar igualmente
teu, igualmente meu, reflectido na montra de
uma loja do nosso sono."
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
domingo, 10 de novembro de 2013
"Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu inverno
da carne repousando em suor nocturno.
Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam lábios
e o coração no sexo palpitava.
Conheço o sal que resta em minha mãos
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.
Conheço o sal da tua boca, o sal
da tua língua,
A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados."
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Pergunta-me qualquer coisa
"Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer"
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer"
domingo, 1 de setembro de 2013
New days are coming!
Num ano muita coisa muda e ainda nem passou um ano, e eu voltei a
mudar! Tinha de o fazer,foram meses repletos de stress, horas sem fim de trabalho,
choro, cumplicidade também, mas chegou a hora de sair.
Agora de volta ao
mundo dos Cruzeiros, mas noutra perspectiva! Organização, organização,
organização e organização em terra! A loucura de ver tudo acontecer e ficar
feliz...
Desde há uns anos para cá que a vontade de voltar à organização
de Grupos estava “adormecida” em mim, era apenas uma estagiária a última vez... Agora tive uma
oportunidade, não a deixei passar, e agora chegou a hora de conciliar este
desejo ao mundo dos Cruzeiros.
Sei que andamos em busca da
felicidade diariamente, mas são vários os momentos a cada dia que vivo que me
sinto feliz, mesmo que seja por alguns segundos, minutos... Sim, tenho tido
dias menos bons, mas há sempre uma maneira de dar a volta, basta acreditar e
ver a felicidade nas coisas simples da vida! Nos dias que correm, ter emprego já é motivo para estar feliz ... imagine that!
Tive os piores 6 meses desta minha (ainda) curta existência. Tive que tomar decisões que não foram fáceis para mim, tive pessoas
a partirem, anulei outras
que estragaram vários dias, semanas, meses da minha vida, mas , guess what ? Ganhei tantas
outras.
Agora falta o de sempre: O AMOR !
domingo, 28 de julho de 2013
A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida
"Gosto do arrepio da tua língua na minha nuca
gosto que me digas "quero mais" quando creio já te ter dado tudo
gosto das palavras obscenas que inventamos juntos, feitas de restos de barcos e impérios, lodos e dolos do nosso passado comum estoirado pelas costuras.
gosto de imaginar-te mais perto
de olhos fechados
captar-te todos os traços como se da última fotografia de todos os rolos existentes no planeta se tratasse e, ao teu ouvido, interromper o silêncio ensurdecedor da noite com palavras ainda por inventar
ouvir-te a respiração descompassada que se segue
sentir que nada mais importa (...) "
gosto que me digas "quero mais" quando creio já te ter dado tudo
gosto das palavras obscenas que inventamos juntos, feitas de restos de barcos e impérios, lodos e dolos do nosso passado comum estoirado pelas costuras.
gosto de imaginar-te mais perto
de olhos fechados
captar-te todos os traços como se da última fotografia de todos os rolos existentes no planeta se tratasse e, ao teu ouvido, interromper o silêncio ensurdecedor da noite com palavras ainda por inventar
ouvir-te a respiração descompassada que se segue
sentir que nada mais importa (...) "
segunda-feira, 15 de julho de 2013
A ganância sentimental é a mais fatal das formas de ganância
Pedro Chagas Freitas é isso
Quando tens tudo aquilo de que precisas e continuas à procura daquilo que precisas: estás a conseguir, aos poucos, perder aquilo de que precisas. A ganância é o lado B da ambição. E o que numa é luz na outra é escuridão. Seja de coisas, seja de palavras, seja de gestos, seja de sentimentos: se és ganancioso, és merdoso. És uma merda de uma pessoa que, só porque se sente dono da força e do mundo (do seu), acredita que deve exigir até aquilo que já tem. Se és ganancioso: és merdoso. Uma merda de uma pessoa que tem aquilo que quer e que mesmo assim parece estar sempre em luta para querer mais do que aquilo que quer. E que, no final das contas, acaba por não conseguir mais do que aquilo que quer. E, pior ainda, por perder aquilo que sempre teve e que, no fundo, era tudo aquilo que queria. A ganância sentimental é a mais fatal das formas de ganância. Se amas e és amado: tens tudo. Não queiras mudar de tons, de cores, de gritos, de gemidos, de geografia. Não queiras mais do que aquilo que tens – se tens tudo aquilo que queres. Se amas e és amado: és o dono do mundo. Se amas e és amado: és o cabrão mais abençoado do mundo. Não digas “está bem” perante a mais suprema das felicidades. Não condescendas perante a mais suprema das felicidades. Se amas e és amado és o cabrão mais abençoado do mundo. Agradece. Todos os dias, a toda a hora.Não queiras menos do que tudo, sim. Mas não queiras, mais ainda, mais do que tudo. Querer ultrapassar o tudo é caminhar para o nada. Quer sempre o melhor para ti. O melhor de ti. E nada é maior, nada é mais feliz, do que a felicidade de amar e ser amado. Se amas e és amado és o cabrão mais abençoado do mundo. Ámen.
domingo, 7 de julho de 2013
it will happen
"Dentro ou fora de mim, todos os dias acontece algo que me surpreende, algo que me comove, desde a possibilidade do impossível a todos os sonhos e ilusões".
quinta-feira, 20 de junho de 2013
O amor é tanta coisa
"O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor é um prémio e um castigo. O amor fere-te, o amor salva-te, o amor é um farol e um naufrágio. O amor é alegria. O amor é tristeza. É ciúme, orgasmo, êxtase. O nós, o outro, a ciência da vida.
O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força.
O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida. O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz.
O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda.
Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te.
O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença. O rasto de um cometa. Um buraco negro. Uma estrela. Um dia azul. Um dia de paz.
O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. O amor é um nome. É um corpo. Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. É a pele de um sorriso."
Joaquim Pessoa
O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força.
O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida. O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz.
O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda.
Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te.
O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença. O rasto de um cometa. Um buraco negro. Uma estrela. Um dia azul. Um dia de paz.
O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. O amor é um nome. É um corpo. Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. É a pele de um sorriso."
Joaquim Pessoa
terça-feira, 21 de maio de 2013
"My mother always said, life was like a box of chocolates, you never know what you're gonna get"...and she was right
Numa noite de audácia incomparável
passo a tratar-te por tu;
E de repente um arrepio... a mão percorria ao de leve o meu pescoço,
os teus lábios a minha orelha...
No calor de um quarto onde a luz escasseia beijo-te, não é? Tínhamos perdido a roupa...
Nada estava escrito, éramos só nós sem nenhum segredo, vivos e completos.
É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti. Despes-me só com um olhar!
"Acontecem coisas sem que se compreenda porque acontecem e, precisamente, o que menos interessa é saber ou compreender. Fascina e arrepia."
passo a tratar-te por tu;
E de repente um arrepio... a mão percorria ao de leve o meu pescoço,
os teus lábios a minha orelha...
No calor de um quarto onde a luz escasseia beijo-te, não é? Tínhamos perdido a roupa...
Nada estava escrito, éramos só nós sem nenhum segredo, vivos e completos.
É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti. Despes-me só com um olhar!
"Acontecem coisas sem que se compreenda porque acontecem e, precisamente, o que menos interessa é saber ou compreender. Fascina e arrepia."
domingo, 5 de maio de 2013
Preciso que me olhes nos olhos
"Preciso que me olhes nos olhos
Que me decifres em ti
E me sintas, além do toque
Preciso que me olhes nos olhos
Que te deites desperto em mim
E me proves, além dos beijos
Preciso que me olhes nos olhos
Que te atires em meus braços
E me bebas, além dos meus cheiros
Preciso que me olhes nos olhos
Que me dedilhes com os dedos do coração
E me encantes, além dos desejos
Preciso que me olhes nos olhos
Que me dispas em teus lábios
E me conheças, além das palavras
Preciso que me olhes nos olhos
Que me arranques suspiros e tremores
E teu gosto fique em mim, depois do amor."
Que me decifres em ti
E me sintas, além do toque
Preciso que me olhes nos olhos
Que te deites desperto em mim
E me proves, além dos beijos
Preciso que me olhes nos olhos
Que te atires em meus braços
E me bebas, além dos meus cheiros
Preciso que me olhes nos olhos
Que me dedilhes com os dedos do coração
E me encantes, além dos desejos
Preciso que me olhes nos olhos
Que me dispas em teus lábios
E me conheças, além das palavras
Preciso que me olhes nos olhos
Que me arranques suspiros e tremores
E teu gosto fique em mim, depois do amor."
domingo, 21 de abril de 2013
As palavras formaram-se dentro dela
(…) Sentados sobre as camas de ferro dos seus quartos, lembraram-se:encontrámo-nos. Naquele dia, perante a imagem verdadeira um do outro, sentiram: encontrámo-nos. No rosto dele, a esperança. No rosto dela, mais do que a esperança. Encontrámo-nos. Encontrámo-nos. Encontraram-se. Foi ele que caminhou a distância pequena que ainda os separava. Foi ele que estendeu os braços. Ela baixou o olhar entre o seu corpo imóvel e a terra. Os braços dele sem uso. As palavras formaram-se dentro dela. As palavras aproximaram-se dos seus lábios. No silêncio, entre os seus rostos, as palavras existiram e foram um eclipse.(…)
"E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos."
domingo, 7 de abril de 2013
29 anos de amizade :)
Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue verdadeiro, encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
José de Almada Negreiros
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue verdadeiro, encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
José de Almada Negreiros
quarta-feira, 3 de abril de 2013
domingo, 31 de março de 2013
domingo, 24 de março de 2013
Por vezes queria beijar-te
"(...)
sabes
por vezes queria beijar-te
sei que consentirias
mas se nos tivéssemos dado um ao outro ter-nos-íamos separado
porque os beijos apagam o desejo quando consentidos
foi melhor sabermos quanto nos queríamos
sem ousarmos sequer tocar nossos corpos
hoje tenho pena
parto com essa ferida
tenho pena de não ter percorrido teu corpo
como percorro os mapas com os dedos teria viajado em ti
do pescoço às mão da boca ao sexo
tenho pena de nunca ter murmurado teu nome no escuro
acordado
perto de ti as noites teriam sido de ouro
e as mãos teriam guardado o sabor de teu corpo.
(...)"
O tempo não volta atrás, agora é tarde... Ficam os pequenos e bons momentos que não se tornaram maiores porque vivia iludida com outra pessoa e, agora voltaste ao teu Alentejo. Agora vejo o que provocaste em mim e, na altura, não percebi. Tenho saudades tuas, tu que quiseste um dia mudar o meu mundo!
sabes
por vezes queria beijar-te
sei que consentirias
mas se nos tivéssemos dado um ao outro ter-nos-íamos separado
porque os beijos apagam o desejo quando consentidos
foi melhor sabermos quanto nos queríamos
sem ousarmos sequer tocar nossos corpos
hoje tenho pena
parto com essa ferida
tenho pena de não ter percorrido teu corpo
como percorro os mapas com os dedos teria viajado em ti
do pescoço às mão da boca ao sexo
tenho pena de nunca ter murmurado teu nome no escuro
acordado
perto de ti as noites teriam sido de ouro
e as mãos teriam guardado o sabor de teu corpo.
(...)"
O tempo não volta atrás, agora é tarde... Ficam os pequenos e bons momentos que não se tornaram maiores porque vivia iludida com outra pessoa e, agora voltaste ao teu Alentejo. Agora vejo o que provocaste em mim e, na altura, não percebi. Tenho saudades tuas, tu que quiseste um dia mudar o meu mundo!
sexta-feira, 8 de março de 2013
Dia da Mulher
E já passou uma semana, passou rápido...
Sinto saudades do teu sorriso, da tua boa disposição, da tua curiosidade (para não dizer cusquice), da forma como, apesar de tudo, protegias os teus. Quem diria? Nós que andávamos sempre em pequenas picardias e passavas a vida a questionar-me sobre os outros, mesmo sabendo que odiava (e odeio) falar dos outros. Ai Maria, Maria!
Foi um ano difícil para ambas, mas o teu estava a chegar ao fim... longe de mim tal pensamento!! Pensei que continuarias a ser forte e saudável, mesmo quando as pernas não cooperavam. Já te vi nos teus últimos dias, fraca, magra, mas o sorriso estava lá. Mais do que nunca, senti nesse Domingo o quanto de meiguice havia em ti. Procuraste a minha cara, a minha mão para me sentir, já que a visão era praticamente nula. Procuraste o meu carinho e o meu calor...
Regressei a Lisboa tão triste! Mas tive que olhar para ti mãe e passar confiança, tudo estava bem, tudo iria ficar bem.
Não ficou e lá recebi eu o telefonema que não queria ter recebido. Tinhas partido...
Estava perdida. Um ano repleto de emoções, inicio de ano a começar a desenvolver uma depressão, inchada por efeitos de uma ou outra medicação, auto-estima tinha volta a ir ao fundo...e quando achava que não podia mais nada vir a acontecer, tu partes...
E hoje agradeço-te! Agradeço-te por teres cuidado de mim, já longe... Conduzia rumo à Serra, as lágrimas caíam e recebo o telefonema: um emprego! Mixórdia de emoções. Ora ria, ora chorava, um misto sei lá eu de quê.
E hoje agradeço, por me teres contagiado com a disposição e energia. Hoje agradeço por teres cuidado de mim "coisa mai linda da neta"!
E não te preocupes, fico a cuidar da minha mãe, serei agora eu a mãe e o pai dela !
Sinto saudades do teu sorriso, da tua boa disposição, da tua curiosidade (para não dizer cusquice), da forma como, apesar de tudo, protegias os teus. Quem diria? Nós que andávamos sempre em pequenas picardias e passavas a vida a questionar-me sobre os outros, mesmo sabendo que odiava (e odeio) falar dos outros. Ai Maria, Maria!
Foi um ano difícil para ambas, mas o teu estava a chegar ao fim... longe de mim tal pensamento!! Pensei que continuarias a ser forte e saudável, mesmo quando as pernas não cooperavam. Já te vi nos teus últimos dias, fraca, magra, mas o sorriso estava lá. Mais do que nunca, senti nesse Domingo o quanto de meiguice havia em ti. Procuraste a minha cara, a minha mão para me sentir, já que a visão era praticamente nula. Procuraste o meu carinho e o meu calor...
Regressei a Lisboa tão triste! Mas tive que olhar para ti mãe e passar confiança, tudo estava bem, tudo iria ficar bem.
Não ficou e lá recebi eu o telefonema que não queria ter recebido. Tinhas partido...
Estava perdida. Um ano repleto de emoções, inicio de ano a começar a desenvolver uma depressão, inchada por efeitos de uma ou outra medicação, auto-estima tinha volta a ir ao fundo...e quando achava que não podia mais nada vir a acontecer, tu partes...
E hoje agradeço-te! Agradeço-te por teres cuidado de mim, já longe... Conduzia rumo à Serra, as lágrimas caíam e recebo o telefonema: um emprego! Mixórdia de emoções. Ora ria, ora chorava, um misto sei lá eu de quê.
E hoje agradeço, por me teres contagiado com a disposição e energia. Hoje agradeço por teres cuidado de mim "coisa mai linda da neta"!
E não te preocupes, fico a cuidar da minha mãe, serei agora eu a mãe e o pai dela !
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Quando me encontraste, já não sabias o que procuravas?
Eu sou o que tu quiseres. Queres? Quando quiseres, não queres? Quando me encontraste, já não sabias o que procuravas? Só de longe o soubeste, e agora esqueceste? Não fomos feito para o amor, acrescentas agora? O que não quer dizer que não possamos amar-nos sempre outra vez, e pode ser mesmo a única coisa digna que nos resta? Não foi para isso que fomos feitos, então? Não fomos feitos para o que quer que seja, nascemos, crescemos, envelhecemos, morremos e é tudo, e é mais do que o suficiente? Interessa o quê, o que é que interessa, diz-me, quando o barco começa a naufragar? A atitude dos passageiros? Se começam a cantar ou a chorar, ou simplesmente continuam a fazer o que estavam a fazer? Saber que o barco vai naufragar e continuar? O que interessa é a atitude, insistes, mais não podemos? Não podemos fazer nada mas podemos mudar tudo, é isto que queres dizer? Começar por nós, terminar em nós? Mudar-me a mim e mudar o mundo, como é isso? Começar por mim e acabar em mim e mudar tudo à minha volta, como assim? Se já reparei? Que ao tornar-me melhor o mundo fica melhor? E ainda me pedes que não tenha medo e deixe de esperar o impossível? Que o barco pelo qual espero para me levar daqui para fora não vai chegar nunca? Que o barco por que espero é o barco em que vou? Quando partiu esse barco, gostava eu de saber? Há muito? Antes de mim? Mesmo sem mim? E vai naufragar, de qualquer modo vai naufragar? E que todos os que passaram aqui o souberam, e mesmo assim isso não impediu de fazer o que tinham a fazer? Que não sou só eu? Que uma corrente nos leva? Uma corrente de palavras? Uma corrente de amor? Passar o que por nós passa, que o que passa nem é meu, nem teu, nem nosso, nem as palavras, nem o amor? Passar isso o melhor que possa, e mais nada senão isso? Queres que me cale?
Pedro Paixão
in Muito, Meu Amor
Pedro Paixão
in Muito, Meu Amor
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Tropeço de ternura por ti!
Dou comigo a fechar os olhos, a sentir, o arrepio, a
saborear, como se estivesse a viver tudo de novo, naquele momento, naquele preciso momento... E
porquê? Porquê esta saudade do que poderia ter acontecido e não aconteceu? Ou
aconteceu? Aconteceu sim, e tenho ânsia de coisas impossíveis, e sou
insatisfeita, não estou satisfeita com a simples existência do mundo. E desejo
o que poderia ter sido... Aiiiii estes sentimentos que, por vezes, doem, mas
por vezes me fazem sorrir e, maioritariamente, me fazem confundir...Um caos de
uma série de coisas nenhumas!
Acordo. Adormeço. Volto a acordar. E esta cabeça que não
pára de pensar. O sol acorda lá fora e eu acordo também, mas já não estás a
olhar para mim, e eu já não posso olhar para ti... “Pula da cama miúda, tens um
mundo lá fora à tua espera”. Corro e corro, sinto o calor do sol ou a chuva a
escorregar pela cara. E é bom! Sabe bem, mesmo quando depois do duche quente e
rápido, me sento à frente do PC e volto à realidade... Respiro fundo, a música
começa a tocar e respiro bem fundo!
“Como havia eu de imaginar que tu eras feito à
medida do meu próprio corpo?”
Os dias voltaram a ser preenchidos e alguma esperança vem ao
meu encontro. O que me reservarão os próximos dias? E lá vens tu, fecho os
olhos e sinto o arrepio de novo, o abraço forte...E respiro fundo...
“E afinal de
contas, não admirei sempre aqueles que batem com a porta e se vão embora?” E no fim, apenas peço para ter
existido...
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
A manhã perto nem que seja de rastos
"Exerce sobre mim todos os teus poderes,
os mais avassaladores e brutais,
os que deixam na carne a marca sem resgate
de uma morte prometida em cada gesto
e dá-me a perceber que
sempre que te toco é, afinal, o fogo
que estou a tocar, como se quisesse
bordar um monograma de lava
no lenço que cala o queixume dos lábios.
Deixa-me dos teus poderes
somente um rumor ou um aroma,
a inexprimível tentação que os faz
serem tão perenes e secretos,
tão sôfregos de entrega e infinito,
e depois derrota-me na arena
dos teus braços como tenazes de vento
sufocando nesta boca
o sopro que aprisiona o ar dentro do grito."
os mais avassaladores e brutais,
os que deixam na carne a marca sem resgate
de uma morte prometida em cada gesto
e dá-me a perceber que
sempre que te toco é, afinal, o fogo
que estou a tocar, como se quisesse
bordar um monograma de lava
no lenço que cala o queixume dos lábios.
Deixa-me dos teus poderes
somente um rumor ou um aroma,
a inexprimível tentação que os faz
serem tão perenes e secretos,
tão sôfregos de entrega e infinito,
e depois derrota-me na arena
dos teus braços como tenazes de vento
sufocando nesta boca
o sopro que aprisiona o ar dentro do grito."
"Deve haver um lugar onde um braço
E outro braço sejam mais que dois braços
Um ardor de folhas mordidas pela chuva,
A manhã perto nem que seja de rastos."
E outro braço sejam mais que dois braços
Um ardor de folhas mordidas pela chuva,
A manhã perto nem que seja de rastos."
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Não penses, que é sacrilégio
"Ganhámos juntos o que perdemos separados:
a luz incomparável, esta luz quase louca
da primavera, esta gaivota
caída dos ombros da luz,
e a leve, saborosa tristeza do entardecer,
como uma carta por abrir,
uma palavra por dizer…
Ganhámos juntos o que vamos perdendo
separados:
a alegria – inocente
cidade,
coração aberto pela manhã,
pequeno barco subindo
nitidamente o rio,
fumegando, fumando
com o seu ar importante …
E a ternura – beijo sobrevoando
o teu rosto fiel,
fogo intensamente verde sobre a terra,
intensamente verde nos teus olhos,
pequeno «nariz ordinário»
que entre os meus dedos protesta
e se debate."
"Não penses. Que raio de mania essa de estares sempre a querer pensar. Pensar é trocar uma flor por um silogismo, um vivo por um morto. Pensar é não ver. Olha apenas, vê. Está um dia enorme de sol. Talvez que de noite, acabou-se, como diz o filósofo da ave de Minerva. Mas não agora. Há alegria bastante para se não pensar, que é coisa sempre triste. Olha, escuta. Nas passagens de nível, havia um aviso de «pare, escute, olhe» com vistas ao atropelo dos comboios. É o aviso que devia haver nestes dias magníficos de sol. Olha a luz. Escuta a alegria dos pássaros. Não penses, que é sacrilégio."
a luz incomparável, esta luz quase louca
da primavera, esta gaivota
caída dos ombros da luz,
e a leve, saborosa tristeza do entardecer,
como uma carta por abrir,
uma palavra por dizer…
Ganhámos juntos o que vamos perdendo
separados:
a alegria – inocente
cidade,
coração aberto pela manhã,
pequeno barco subindo
nitidamente o rio,
fumegando, fumando
com o seu ar importante …
E a ternura – beijo sobrevoando
o teu rosto fiel,
fogo intensamente verde sobre a terra,
intensamente verde nos teus olhos,
pequeno «nariz ordinário»
que entre os meus dedos protesta
e se debate."
"Não penses. Que raio de mania essa de estares sempre a querer pensar. Pensar é trocar uma flor por um silogismo, um vivo por um morto. Pensar é não ver. Olha apenas, vê. Está um dia enorme de sol. Talvez que de noite, acabou-se, como diz o filósofo da ave de Minerva. Mas não agora. Há alegria bastante para se não pensar, que é coisa sempre triste. Olha, escuta. Nas passagens de nível, havia um aviso de «pare, escute, olhe» com vistas ao atropelo dos comboios. É o aviso que devia haver nestes dias magníficos de sol. Olha a luz. Escuta a alegria dos pássaros. Não penses, que é sacrilégio."
Fazes-me falta ... !
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
O que fazes e onde estás
"Hoje, perguntando onde estás, e o
que fazes, ouço as palavras tristes
da solidão que me responde, sem
nada me dizer, ao dizer-me tudo.
O que fazes e onde estás, pergunto
ao silêncio que me deixaste; e ouço
em mim a resposta, num eco que
vem de ti, perguntando por mim.
E neste espelho que entre mim e ti
a ausência constrói, outro espelho
reflecte o vazio da sua imagem, até
esse infinito em que a minha pergunta
te responde, para que me devolvas
o eco em que as nossas vozes se juntam."
que fazes, ouço as palavras tristes
da solidão que me responde, sem
nada me dizer, ao dizer-me tudo.
O que fazes e onde estás, pergunto
ao silêncio que me deixaste; e ouço
em mim a resposta, num eco que
vem de ti, perguntando por mim.
E neste espelho que entre mim e ti
a ausência constrói, outro espelho
reflecte o vazio da sua imagem, até
esse infinito em que a minha pergunta
te responde, para que me devolvas
o eco em que as nossas vozes se juntam."
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Focus
"Sou os arredores de uma vila que não há, o comentário prolixo a um livro que se não escreveu. Não sou ninguém, ninguém. Não sei sentir, não sei pensar, não sei querer. Sou uma figura de romance por escrever, passando aérea, e desfeita sem ter sido, entre os sonhos de quem me não soube completar."
Não têm sido fáceis estes dias... Entre mais uma porta que me fecharam e festividades que não me dizem muito, tenho andado com um sorriso nos lábios, mas tão falso como dizer que o Céu é verde! E se quiser que ele seja verde ? Mas não quero, gosto dele azul, bem azul, onde somente o Sol brilhante desponta para dizer : BOM DIA ALEGRIA!
A verdade é que sou a alegria e o sorriso de muitos - sabem lá eles as lágrimas que correm pelo meu rosto nos meus momentos solitários... e que continue assim - diariamente consigo "sacar" umas quantas gargalhadas! Não permito caras tristes a meu lado, não me permito olhar no espelho em dias que não tenho um sorriso estampado nos lábios!
Não me permito estar triste, estou farta! Gosto tanto de rir, pular, saltar, dançar. Aaahhh é tão bom chegar ao final de cada dia cansada de tanta alegria e não é assim tão complicado, basta ir passear descalça pela praia e ser apanhada por uma onda desnorteada; basta rebolar pela relva de um jardim ou dançar numa rua cheia de gente só porque sim; dar um abraço, fazer rir; lambuzar-me num gelado de coco ou encher a barriga de uvas, brancas; ver um filme embrulhada numa manta bem quentinha, se possível bem acompanhada; andar de baloiço ou dar uns pontapés numa bola; correr ou até cair quando ando de patins... Não é preciso muito para me doer a cara de tanta sorriso e a barriga de tanto riso!
Não permito que não me deixem ser a pessoa que sempre fui. Não vou permitir que eu mesma esconda a "velha" menina, agora menina/mulher! Foca-te em ti, reafirma a tua conclusão..."orgasma-me a vida" !!
Subscrever:
Comentários (Atom)














